Weblog de auto-prejuízo

O dia em deus se encheu

Posted in Uncategorized by fredmvp on April 10, 2010

ELE estava em mais um tedioso dia de onipotências e onisciências quando se encontrou pensando como o mundo tinha mudado.Em tempos não tão remotos a sua doutrina era enfiada goela abaixo dos seres humanos por intermédio daqueles que se diziam seus representantes. Nessa época, as pessoas não pareciam querer ter mais contato com ELE do que já tinham. Mas hoje isto estava um pouco diferente. Atualmente as pessoas o procuram sem serem obrigadas a isso. Os seres humanos buscam sem seu poder a realização de sonhos – na maioria das vezes materiais e profissionais – ou, simplesmente, alguma graça a receber. Ao pensar seriamente nisso, ELE, por um breve instante, viu-se como um sujeito rico e poderoso que é seguido por uma corja de gente interesseira. Negros anos estariam iniciar no mundo.

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Sobre memória

Posted in Contos by fredmvp on February 4, 2010

Ele levantou cedo, como sempre fazia, se lavou, acordou sua mulher e disse que prepararia o café. Há quanto tempo a sua rotina era essa? Pelo menos dez anos… E estava satisfeito! Perdera sua memória cerca de dez anos atrás mas, com auxílio de sua dedicada esposa, conseguiu reunir alguns fragmentos e histórias que de certa forma a reconstituiram, apesar de nunca tê-la recuperado de verdade. Parte de seu passado perdido lhe foi contado pela sua esposa, que já o conhecia antes da amnésia. Foi assim que soubera não ter sido um sujeito popular, pelo contrário, não tivera amigos, mulheres, nem dinheiro, nada além de uma existência ordinária até o acidente que lhe tirou a memória – nada que valesse a pena recordar – como dizia sua esposa. Reconstituir mais de vinte anos de vida poderia ter sido uma tarefa muito difícil, se ele tivesse sido um sujeito normal. Mas não. Fora um ninguém. Ao sair pela sua cidade à procura de conhecidos, pistas, fragmentos de sua vida, deparou-se com inúmeras pessoas que não o conheciam. Não havia deixado muitos rastros. Sua esposa, numa incansável vontade de ajudar, conseguira encontrar alguns conhecidos da época de escola que lhe contaram o pouco que conheciam dele. Pelo que lhe foi dito, fora um sujeito introspectivo, quase amargurado. A sua mulher, por sua vez, contou como o conhecera, como tinham sido felizes juntos, como ela tinha visto o quão especial ele era por trás daquela figura infeliz e sem personalidade, e como ele havia começado a se modificar numa constante evolução em direção ao sujeito que passou a ser. O acidente, ao invés de atrasar esse processo de salvação, o acelerou, pois o fizera voltar a ser um punhado de argila a ser moldado – sem fantasmas do passado. Na sua “ressurreição”, como gostava de pensar, conseguiu um emprego razoável na firma de seu sogro, casou-se, programou o aumento da família – sua esposa estava grávida de cinco meses – e agora fazia mais coisas. Deixou sua antiga existência desperdiçada para trás e começou, efetivamente, a viver. Quando pensava assim, achava que não tinha renascido, mas nascido. Saia com sua mulher e amigos todo final de semana, praticava alguns esportes radicais e viajava bastante, não a trabalho, mas para se divertir, para ter do que lembrar. Depois de tomar o café, ao invés de ir de carro com a esposa como de costume, decidiu ir para o trabalho caminhando, a firma ficava há apenas quinze minutos andando. No caminho, esbarrou com um sujeito que disse que o conhecia, falou seu nome, disse que estava sumido da cidade. Perguntou se havia se mudado. Apesar da insistência do sujeito para sentarem-se e conversar, disse a ele que era engano, não era aquele o seu nome e que estava atrasado. Após o almoço, enquanto recostava-se em sua cadeira, subitamente, num estremecimento como se tivesse recebido uma descarga elétrica, sua memória voltou. Recordou que tivera grandes amizades e várias mulheres. Tivera dinheiro, carros, uma empresa lucrativa. Lembrou-se, inclusive, do sujeito em que esbarrara a caminho do trabalho. Era amigo da época da faculdade. Inúmeras lembranças de viagens e histórias surigam em sua cabeça em lampejos quase convulsivos. Morara em outra cidade, uma cidade grande, da qual saira no dia em que se acidentara, rumo à cidade em que agora reside. Viajava a trabalho. Lembrou do acidente. Atropelara um cavalo na estrada. Não lembrou de sua esposa antes do acidente. Não conhecera sua esposa antes do acidente. Tudo o que lembrava era muito diferente do que sua esposa havia lhe contado.

Trinta últimos anos

Posted in Contos by fredmvp on January 28, 2010

I

A cidade é uma dessas cidades ditas grandes desses países ditos em estado de desenvolvimento que se vê por aí. Ele é um sujeito jovem desses que muito se vê nas cidades supracitadas, sempre correndo para o trabalho e do trabalho. Mora com a avó. Não sabe o que significa o fracasso, tampouco a vitória, não há ponto para comparação, apenas estagnação.

II

Tinha acabado de sair da universidade e arrumado um emprego medíocre. Em quinze ou vinte anos de trabalho conseguiria dinheiro suficiente para comprar um apartamento minúsculo não muito afastado do centro da cidade, isso se eu não comprasse um carro… Até aí eu não disse nada demais.

III

São mais de nove da noite, saio mais tarde do trabalho de novo e já vi que não vão me pagar hora extra. Melhor eu conhecer um advogado, ou, preferencialmente, uma advogada! Não vou para casa tão cedo. Recebi hoje, estou com dinheiro, mas também não posso dar mole e ser assaltado. Vou depositar meu dinheiro no banco do bar, quem sabe não conheço por lá uma advogada de segunda.

– Garçom, Me vê uma.

Os amendoins estavam ácidos, caíram bem com o amargo da cerveja. Um amigo meu dos tempos da faculdade surgiu por entre os bebuns já falando afetadamente.

– E aí! Quanto tempo, cara!

– E aí.

– Como estão as coisas? To sabendo que você arrumou um emprego e sua namorada te deixou. Não fique chateado! É ruim ter dois empregos ao mesmo tempo!

– A sua sabedoria ainda me encanta. Estou de saída.

– Eu te dou uma carona. Antes a gente passa num inferninho aqui perto, o dono me deve uns favores. E hoje eu to que to. Já faz mais de duas horas desde a última. Você aproveita e conhece meu carro novo, tirei da concessionária ontem mesmo.

Ele não cansa de se gabar. Jean Piaget falava que as crianças mais ou menos até os sete anos praticam de forma mais freqüente o discurso egocêntrico – falam apenas delas próprias numa espécie de monólogo onde o interlocutor é quem menos importa. Esse cara ainda está com cinco, no máximo.

– Vamos. O amendoim está com gosto de pilha e todas as mulheres nesse bar devem pesar mais do que eu. Sexta é dia de feijoada nos restaurantes.

IV

– Está muito cheio!

– Pois é! Vou falar com o dono, vou ver se consigo um lugar VIP.

Está quente como uma fornalha de fundição. Mesmo homens de ferro não seriam capazes de se manter rijos o suficiente dentro de suas convicções monogâmicas ou de não pagar para obter sexo – talvez os de cerâmica conseguissem. A variedade era imensa. Tinha para todos os gostos e bolsos. Uma pena ser à la carte.

– Já que ele te deve tanto assim, tente descolar um rodízio.

Uma stripper ruiva me chamou a atenção. Seus cabelos eram quase da cor de um caqui. A certa altura ela só era metade ruiva. Um sujeito com uma pinta de cigano afeminado –redundância?- carregando um case de violão chegou a mim.

– Olá amigo!

– Não tenho amigo veado.

Se foi. São quase três da manhã.

V

Cheguei atrasado no trabalho. Meu chefe está vindo na minha direção. Vou fingir que estou ao telefone. Passou. Um jovem é um sujeito infeliz porque vê sua vida se esvair por conta de mesquinharias. Trabalho é uma delas. Passo pelo menos nove horas por dia aqui para subsistir. Vejo na televisão os aposentados nos anúncios falando que agora vão curtir a vida. Como se aproveita a vida com a próstata do tamanho de uma laranja, usando dentadura e brocha? Como se aproveita a vida sendo pensionista? Tenho inveja de quem nasce em berço esplêndido. Os pais sacrificaram suas juventudes para garantir a dos filhos, que torraram todo esse esforço da forma mais lúdica possível.

– Quero esse relatório para antes do almoço.

Quero te comer depois do almoço – minha sobremesa. A minha gerente é uma delícia. Se fosse um chocolate, seria um belga ou suíço. Mas eu, por falta de opção, sustento a indústria nacional. Ela já andou com tantos caras incrivelmente ricos que acho que só impressionará se arrumar um parceiro de outro planeta.

VI

Estou no inferninho em busca alguém para dividir uma noite de solidão comigo. Mediante pagamento. Não sou o único mesquinho da face da terra.

– Me a bebida mais forte que tiver.

O amendoim daqui não é ácido. Já foram sete da mais forte que tiver. A partir da terceira ele pode ter trocado por água, eu não consigo perceber mais. Acho que é o cigano novamente.

– Olá amigo.

– Não tenho amigo veado.

– Tenho uma proposta para você.

– Sou hétero, suma daqui.

O lugar parece todo escuro. Só vejo o maldito cigano veado. Um grande silêncio toma conta do lugar. Apenar aquela vozinha afetada ecoa.

– Me chamo Barbat. Sou um homem de negócios.

– Me chamo quero beber em paz.

– Tenho uma proposta para você. Ouça.

– Se ouvir, você some da minha frente?

– Quero comprar sua vida.

– Vá lá. No trabalho me pagam por hora.

– Não quero que você trabalhe. Quero o que vocês tolos desperdiçam em troca de mixaria. Quero que você me venda uma coisa. A única coisa que vocês humanos não podem comprar.

– Um lamborghini? Olha. Eu não tenho nada além do meu tempo.

– Então chegamos a um acordo.

– Ahn?

– Quero comprar seu tempo. Anos. Eu sou um agente previdenciário diferenciado.

– O quê?

– Hoje, você trabalharia mais, deixe me ver, uns trinta anos para se aposentar e colher os frutos já secos de seu trabalho. Posso mudar isso mediante um simples acordo entre cavalheiros.

– Diga a sua proposta antes de eu acabar com o meu fígado.

– Me venda trinta anos da sua vida. Tenho comigo aqui todas as estatísticas do seu perfil que me garantem que você viverá até os oitenta anos.

– O governo me obrigou a aceitar um plano parecido. Mas nele eu viveria dez anos a menos.

– Mas Barbat te traz um diferencial.

Odeio quem fala de si em terceira pessoa. Isso pra mim deve ser alguma patologia.

– Diga o seu diferencial, além de ser cigano veado.

– Quero comprar seus últimos trinta anos. Você começará a pagar aos cinqüenta anos de idade!

– Você é algum tipo de escravizador de idosos? Ou recruta gente velha para furar fila de banco?

– Não quero que você trabalhe para mim aos cinqüenta. É um mercado futuro com liquidez imediata.

– E de quanto estamos falando?

– O suficiente para você viver com luxo e tranqüilidade.

Essa está sendo uma noite estranha. Um cigano Mephistofélico surge num inferninho me propondo um negócio irreal. Mas se a liquidez é imediata, o que tenho a perder?

– Está com dinheiro aqui, agora?

– Acha que toco violão nesse lugar barulhento? Olhe o case.

Nunca tinha visto tanto dinheiro na minha vida toda. Havia lingotes de ouro, algumas jóias. Mas principalmente dinheiro. Dólares, Euros, Reais….

– Só isso?

– Amanhã na varanda do seu quarto você encontrará um outro case idêntico a esse, e assim acabam as minhas obrigações para com você.

Como ele sabe que o meu quarto tem varanda?! É tarde da noite, estou bêbado como um gambá. Um sujeito me oferece dinheiro por anos da minha vida que nem chegaram e aquele papo de mercado futuro com liquidez imediata… Não vou me preocupar por ele saber da varanda.

– Ok. Eu aceito, mas antes tenho uma pergunta. Quais são as minhas obrigações?

– Viva apenas.

– Fechado! Passe o case para cá.

O cigano Barbat sumiu em meio às luzes convulsivas e ao ruído ensurdecedor da música de boate que eu voltava a ouvir. O case estava lá. Pesado como se tivesse um cadáver dentro. O cara devia ser forte como um touro para carregar isso.

– Garçom, garçom. Chame um táxi pra mim.

VII

O case esta na varanda, como combinado. Odeio varandas. Elas servem mais para você ser visto do que para que você veja os outros. Nunca abro a persiana da porta da varanda. Ele está mais cheio que o outro. Está com mais Euros e Reais. Liquidez imediata. Pelas minhas contas, depois que eu realizar meus desejos materiais mais imediatos e desvairados, ainda sobrará dinheiro suficiente para acabar com a fome na África ou com o tédio dos meus próximos dias. Comprarei uma boa casa e mandarei arrancar a varanda dos quartos. A África ficará bem sem a minha ajuda.

VIII

São sete da manhã. Eu não durmo há dias. A minha fortuna, por mais que eu a desperdice, não parece ter fim. É melhor do que ter ganhado na loteria. Bebida, mulheres e carros dos mais caros. Vivo hoje o que eu jamais viveria. A receita federal está atrás de mim. Está na hora de fazer mais um fiscal feliz. Essa é a magia de ser rico. Você ajuda aos outros que não precisam em troca de ajuda que você não merece. Grande Barbat. Cigano veado que me encheu de dinheiro em troca de um acordo entre cavalheiros. Nunca abri uma porta para uma mulher nem dei lugar a senhoras idosas ou grávidas. Acho que não chegarei aos cinqüenta.

Um rapaz

Posted in Contos by fredmvp on January 28, 2010

Um rapaz que caminhava pela rua teve o infortúnio de cruzar o caminho de uma senhora daquelas cheias de fé que costumam pregar a palavra deus quase à marteladas. Sem chance de desviar a rota por conta da calçada estreita, o rapaz não pôde evitar ser abordado pela decidida senhora que, usando o corpo para interromper o trajeto do jovem, proferiu um sonoro – “Bom dia, você conhece a palavra de Deus?!”.

O mancebo, usando de todo traquejo social que sua tenra idade lhe permitia ter, tentou desconversar e continuar seu caminho. Foi em vão, pois a perseverante senhora manteve-se a martelar suas frases prontas e, ao perceber que o jovem não lhe dava ouvidos, lançou-lhe uma pregação/critica/desafio:

“Meu jovem, você só terá futuro se reconhecer Jesus, filho de Deus, nosso salvador. Você, descrente,é capaz de reconhecer o filho de Deus? ”

Em tom de réplica, o já impaciente jovem rispidamente disparou:

“Senhora, estou certo de que se eu o vir na rua, reconhecerei”.

O falsário

Posted in Contos by fredmvp on January 28, 2010

Manuel foi o maior falsário que existira em sua época. Era tido como um sujeito de grande desenvoltura e esperteza no crime e nos tabuleiros de xadrez. Poderia imitar a assinatura mais complicada e rabiscada só de vê-la uma ou duas vezes de relance. Alcançara grande fama no submundo, sendo o falsário mais procurado de toda rua do porto. Certa vez, entretanto, Manuel fora apanhado num ardil elaborado por um sujeito, vítima sua de outrora, que desejava, como vingança, testar sua perícia. Posto num conteiner com somente uma porta que tinha, pelo lado de fora,  uma simples fita auto-adesiva fazendo papel de lacre onde estava escrito: “Duvido que você consiga imitar esta letra”.
Um acordo foi proposto. Se conseguisse sair da sala e recolocar o lacre refazendo a letra terrívelmente feia e rebuscada, o sujeito o liberaria sem entregá-lo à polícia. Manuel, obviamente topou. Foram dados a ele um rolo de fita adesiva e uma caneta idêntica a que foi utilizada para escrever no lacre. Sem demora, o esperto falsário saiu pela porta, rompendo o lacre, que imediatamente foi refeito, com uma letra impressionantemente idêntica à original. Ao sair do galpão onde o conteiner se encontrava e se deparar com seu desafiador, lançou um olhar de desprezo e continuou a encaminhar-se para fora dali.
Ficara preso durante vinte anos após esse incidente…

O ardiloso sujeito que o prendera, no momento da conferência do lacre, não conseguiu conter estrondosa gargalhada motivada pelas seguintes palavras escritas com caligrafia idêntica a dele: “Viu como eu consigo?”.
Manuel era tão bom falsário que falsificara até sua fama de mais inteligente e brilhante vilão da bela portugal.

13 considerações acerca do mundo pós-moderno.

Posted in Resmungos by fredmvp on January 28, 2010

 

1- Ter é mais importante do que ser. Parecer ter também costuma funcionar.

2- Dinheiro algum compra amor. Aluga.

3- Dinheiro não traz felicidade, mas ser infeliz com dinheiro parece bem suportável.

4- Estudar continua a ser quase obrigatório aos fracos ou pobres que não queiram ser destruídos. Os que são pobres e fracos perecem ou se armam.

5- Estudar continua não ajudando muito.

6- Nada está tão bom a ponto de não gerar frustrações.

7- Continuamos a ser massa de manobra.

8- Forças e vontades divinas agora emanam de lugares medidos em polegadas e com tela plana. Para alguns, pelo menos, elas têm plasma.

9- Deve-se amar o próximo menos que o anterior.

10- Controle de natalidade continua parecendo uma ótima opção.

11- Na cadeia evolutiva da política os seres que agora se demonstram mais preparados têm menos dedos, mais melanina ou pares de cromossomos idênticos.

12- Continuamos trabalhando muito quando não somos muito inteligentes e, por isso, ficamos ainda mais burros.

13- “Won´t get fooled again” do “The Who” permanece atualíssima. We´re still getting fooled…

Encontro de casais com cristo.

Posted in Filosofagem relâmpago, Resmungos by fredmvp on January 28, 2010

Outro dia passei em frente a uma igreja que ostentava uma faixa com a seguinte frase: “Encontro de casais com Cristo”. Eu, com toda minha ingenuidade moldada pelos noticiários logo pensei que se tratava de uma daquelas seitas com suicídios em massa. Pensei, inclusive, que poderia ser uma troca de casais com cristo, mas aí ele sairia ganhando… Até imaginei que, nesse tal encontro de casais com Cristo, os cavalheiros seriam ainda mais cavalheiros… Damas primeiro!

Postergeist

Posted in Filosofagem relâmpago by fredmvp on January 28, 2010

Postergeist é o supernatural fenômeno da postergação, algo que todo bom brasileiro sabe de cor. Postergar é a leve arte de administrar o tempo de forma que ele não se torne útil para nada além do descanso. O famoso “empurrar com a barriga”.

Do amor e ódio ao trabalho

Posted in Resmungos by fredmvp on January 28, 2010

As pessoas que gostam de trabalhar que perdoem este infeliz digitador. Este post surgiu pensando nas pessoas que, como este digitador, odeiam trabalhar, resultando numa sucinta análise lógica da situação.

  • Quem odeia trabalhar, normalmente precisa;

 

  • Por odiar trabalhar, quer ganhar o máximo possível por isso;

 

  • Para ganhar o máximo possível, tenta trabalhar o melhor que conseguir. O que muitas vezes é o máximo de tempo e dedicação possíveis…

 

  • Então, acaba gastando muita dedicação e tempo em algo que é necessidade… É como perder cinco dias por semana se dedicando a necessidades fisiológicas, que, igualmente, dão alívio ao término…

 

Concluindo: Por odiar trabalhar: trabalha-se bem e bastante.

Viste como é difícil diferenciar ódio de amor?

Intero-conto

Posted in Contos by fredmvp on January 28, 2010

Havia sido uma grande discussão. Grande em volume e em tamanho. Longa discussão. Daquelas em que até se esquece do verdadeiro motivo e passa-se a discutir tudo. Logo que terminara correra para o lugar onde tinha o direito de se fazer rei. Devidamente acomodado no trono começou a deliberar toda sorte de intero-decisões, se desfazendo de pensamentos digeridos. O desespero tomara conta. Pensara em afogar-se, mas seria sofrido e indigno. Não encontrara lugar para pendurar-se… Nada de forca. Penetrou mais fundo na consciência para não deixar rancor algum para depois. Parou de suar. A calma foi surgindo como o Sol que, por entre as nuvens escuras, ilumina timidamente o céu fazendo a placidez prateada de um dia nublado. Limpou-se de todos os pensamentos negativos. Percebera que não era possível limpar-se completamente do rancor daquela forma, sendo capaz apenas de fazer com ele o que se faz com uma mancha de tinta vermelha em tecido branco, que de tanto esfregar se espalha, tornando-se menos perceptível. Cogitara respirar fundo, aliviado. Decidira que o banheiro não era o lugar mais apropriado para isso.